Nessa quinta-feira, 11, o Sindprev promoveu com as mulheres da categoria um debate com o psicólogo e sexólogo Carlos Boechat. Logo depois, houve uma confraternização.
A diretora do Sindprev, Marli Brígida fez a abertura do debate da tarde dessa quinta. Ela falou da mudança da mulher na sociedade durante o último século. “Embora seja até difícil dizer que estamos comemorando o dia da Mulher, sabendo das barbáries a que elas são submetidas muitas vezes pelos próprios maridos e filhos, é preciso ressaltar as conquistas que as mulheres obtiveram ao longo dos anos”, argumentou Marli, lembrando que elas vêm aumentando seu poder de participação na política, na economia, num processo contínuo.
Debate: “mulheres que amam demais”
Carlos Boechat, psicólogo e sexólogo, escolheu fazer um debate bate-bola, perguntando às mulheres que tipo de amor elas conheciam, ou como deveria ser o amor nas suas concepções.
À medida que as participantes aderiram ao tema do amor, que é muito diverso, Boechat convergiu para o tema dessa tarde: o amor em demasia. “Existe uma construção, que tem origem na história de Adão e Eva, de que a mulher é pecadora por natureza e por isso deve sofrer, pagar pelos seus pecados com castigos divinos, como a menstruação e a dor do parto, por exemplo”, iniciou o psicólogo.
Sendo culpadas pela expulsão dos homens do Paraíso, segundo Boechat, as mulheres estariam em dívida com eles, precisando se desdobrar em seus atos para poder conquistar a confiança dos homens e visibilidade social.
“Assim, mesmo com a libertação sexual da mulher, que passou a ocupar mais espaços na vida econômica e política das sociedades, ela ainda tem afazeres domésticos, tidos como obrigação a elas, como parte da punição pelo pecado original”, lembrou o sexólogo que associou essa tese à jornada dupla, que é aquela cumprida pelas mulheres que trabalham e cuidam da casa.
Quem são as mulheres que amam demais?
Para Boechat, as mulheres que amam demais são aquelas que amam tanto seus parceiros/filhos que não tem amor-próprio. Para ilustrar a afirmação, o sexólogo usou dois exemplos: “A mulher que ama demais é aquela que faz tudo para agradar o marido, mesmo que ele não lhe permita descansar depois de um dia de trabalho, não fazendo seu próprio jantar; é aquela que paga as dívidas de drogas do filho para não contrariá-lo”.
A mulher que ama demais abusa desse sentimento e acaba abdicando de si mesma para proteger o seu amado, ou amada. E, desse modo, termina servindo o parceiro, não dando chance de buscar sua própria emancipação e auto-satisfação, segundo o psicólogo.
A mulher que acredita nesse amor não tem enfrentamento com os filhos, o parceiro ou parceira, e sofre por amar o outro, porque faz todas as vontades do amado, ainda que ela não concorde com isso.
Portanto, se ela não tem poder de enfrentar os amados, ela não tem forças para enfrentar os seus desafios.
O sexólogo concluiu que o amor não é uma invenção, é um processo. “A indústria do cinema e das novelas investe num amor à primeira vista, que faz a mulher se consumir pelo amado, mas que não tem coragem de lutar, de levantar a bandeira contra as injustiças cometidas contra elas”. Boechat encerrou o debate lembrando que é preciso atentar para os interesses de quem quer que a mulher fique em casa. “E é aí que entra o sindicato para debater essas questões”, completou.
Após a palestra houve uma confraternização com as mulheres da categoria.
Nessa quinta-feira, 11 de março de 2010, o Sindprev promoveu com as mulheres da categoria um debate com o psicólogo e sexólogo Carlos Boechat. Logo depois, houve uma confraternização.
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