Os servidores do INSS e a população brasileira há muito tempo sofrem as consequências da falta de servidores para atender a demanda. A maioria das Agências da Previdência Social (APS) encontra-se esvaziada e, em grande parte, realiza apenas atendimentos agendados de alguns benefícios específicos, como BPC, recursos, Reabilitação Profissional e Perícias Médicas.
A FENASPS luta há décadas pela recomposição do quadro de pessoal do INSS. Já em 2018, havia um déficit de aproximadamente 23 mil servidores, conforme denúncias encaminhadas ao Ministério Público Federal, à CGU, ao TCU e reiteradamente apresentadas pela Federação aos sucessivos governos ao longo das últimas décadas.
Com a implementação de novas tecnologias e a ampliação do trabalho remoto — iniciado em 2016 e agravado pela pandemia, com o fechamento das APS e a adoção massiva do home office — os segurados foram obrigados a utilizar exclusivamente os canais remotos, como o telefone 135 e o aplicativo Meu INSS. O resultado foi a formação de uma fila virtual que, entre 2016 e 2023, chegou a cerca de 10 milhões de requerimentos.
Os governos da época ignoraram os alertas dos órgãos de controle, das entidades sindicais e até de parlamentares. Apostaram ainda mais na virtualização do atendimento, prometeram que novos sistemas eliminariam a fila e gastaram milhões com bônus de produtividade, levando servidores a jornadas de até 14 horas diárias. Nada disso resolveu o problema: a fila persiste, com cerca de cinco milhões de requerimentos aguardando análise, muitos há mais de dois anos.
O último presidente do INSS — posteriormente demitido e preso por crimes ainda em investigação — prometeu concurso público, assumiu compromissos com o atual governo para pôr fim às filas e não entregou o que prometeu.
A FENASPS alertou formalmente o governo, entregou dossiês com denúncias e propostas, todos solenemente ignorados. As consequências são dramáticas: população sem atendimento ou com atendimento precário, e uma parcela significativa de servidores adoecida, desmotivada, submetida a condições de trabalho degradantes e à falta de valorização da carreira.
Nesta semana, um deputado do PT do Rio Grande do Sul colocou o dedo na ferida ao criticar o caos vivido pelos segurados do INSS, fruto de escolhas equivocadas e da incompetência da atual gestão. No entanto, errou gravemente ao tentar transferir a responsabilidade para os servidores em trabalho remoto, o que é inaceitável. Segundo o parlamentar, “70% dos servidores estão em trabalho remoto”.
É preciso dizer a verdade: as APS estão esvaziadas porque não houve concurso público para repor o quadro funcional. Faltavam 23 mil servidores e, nos últimos dez anos, foram contratados pouco mais de 1.300. A responsabilidade pelo caos é da gestão e dos governos que optaram por não investir no serviço público.
Não há acordo com o atual presidente do INSS, que demonstra não ter vocação para a gestão pública: faltou humildade, faltou diálogo e faltou ouvir as entidades representativas. Ao assumir a paternidade do caos, confirma-se o que sempre denunciamos: trata-se de uma tragédia anunciada.
Ao longo de mais de quatro décadas, a FENASPS luta incansavelmente pela contratação de servidores e pela reabertura plena de todas as APS, com atendimento ininterrupto de 12 horas, jornada de seis horas — comprovadamente mais produtiva — e o fim do adoecimento causado pelo atual sistema de metas.
Como se não bastasse, o INSS e a Dataprev decidiram fechar as APS entre os dias 27 e 30 de janeiro, sob a justificativa de atualização de sistemas, sem qualquer comunicação adequada à população. Em audiência realizada em 15/01/2026, a FENASPS propôs que essas atualizações fossem realizadas no período do Carnaval, quando haveria até seis dias disponíveis, sem prejuízo aos atendimentos já agendados. Mais uma vez, a proposta foi ignorada.
O resultado é revolta e indignação: segurados deslocam-se de diversos municípios até as agências e encontram portas fechadas, sem informações; servidores também se indignam diante da falta de planejamento e respeito.
Hoje, o Ministro da Previdência estará em Santa Catarina e convidou as entidades para atividades políticas em Florianópolis. O SINDPREVS/PR, que se encontra em processo eleitoral, encaminhou sua pauta de reivindicações, que será protocolada junto ao Ministro, solicitando audiência para tratar de demandas urgentes da categoria, como o pagamento do adicional de insalubridade, auxílio-transporte e o retorno do atendimento presencial da gestão de pessoas nas Gerências Executivas.
Servidores ativos e aposentados sofrem com a ausência de referência presencial: processos como a concessão de abono de permanência chegam a levar até dois anos para serem concluídos.
As entidades do FONASEFE, representando o conjunto dos servidores públicos federais, realizam hoje ato no MGI para protocolar a pauta unificada de reivindicações, dando início à campanha salarial de 2026 e fortalecendo a luta pelo sepultamento definitivo da Reforma Administrativa (PEC 38), que, embora sem amplo apoio parlamentar, ainda pode ser levada à votação em plenário.
Vamos intensificar a mobilização.
2026 será um ano de grandes desafios, com eleições para presidente, governadores e o Congresso Nacional.
A luta continua, sempre, até a vitória dos trabalhadores e das trabalhadoras.
*Fonte: FENASPS














